Quando pensamos em qualidade do ar em escolas, normalmente a preocupação se concentra em vírus respiratórios, mofo, poeira e dióxido de carbono. No entanto, um estudo recém publicado (maio 2026) na revista Scientific Reports trouxe um alerta importante sobre outro grupo de contaminantes invisíveis: os Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).
O trabalho chama atenção não apenas pelos resultados, mas também pela robustez da metodologia utilizada. Em vez de analisar uma única escola ou uma cidade específica, os pesquisadores reuniram dados de 28 estudos científicos realizados entre 2010 e 2023 em 17 países da União Europeia. Trata-se de uma revisão sistemática de dados ambientais, uma abordagem considerada entre as mais robustas da pesquisa científica por consolidar evidências provenientes de múltiplas investigações independentes.
A pergunta que os pesquisadores buscaram responder era simples: os níveis de COVs encontrados em creches, escolas, colégios e universidades representam um risco à saúde de crianças e adolescentes?
A resposta foi preocupante.
O que são os COVs?
Os Compostos Orgânicos Voláteis são substâncias químicas liberadas por móveis, carpetes, pisos, tintas, vernizes, adesivos, produtos de limpeza, aromatizadores de ambiente e diversos materiais de construção. Como evaporam facilmente, acabam se acumulando no ar dos ambientes internos, especialmente quando a ventilação é insuficiente.
Segundo os autores, as concentrações desses compostos em ambientes internos podem ser de duas a cinco vezes maiores do que as encontradas no ambiente externo. Em outras palavras, embora muitas pessoas associem a poluição do ar apenas ao trânsito ou à atividade industrial, uma parcela importante da exposição pode ocorrer dentro dos próprios edifícios onde passamos a maior parte do tempo.
No caso das escolas, essa preocupação ganha uma dimensão ainda maior.
Por que crianças e adolescentes são mais vulneráveis?
Crianças e adolescentes passam aproximadamente seis horas por dia em ambientes educacionais durante boa parte do ano. Além disso, seus sistemas respiratório e imunológico ainda estão em desenvolvimento, tornando-os mais suscetíveis aos efeitos de contaminantes presentes no ar.
Os autores destacam que a exposição prolongada a determinados COVs tem sido associada a diversos impactos à saúde, incluindo irritação das vias respiratórias, agravamento de quadros de asma, alterações neurológicas, comprometimento cognitivo, danos cardiovasculares e aumento do risco de alguns tipos de câncer.
Por esse motivo, compreender a qualidade do ar em ambientes educacionais não é apenas uma questão de conforto. Trata-se de uma questão de saúde pública.
O que o estudo avaliou?
Os pesquisadores utilizaram o Indoor Air Quality Risk Calculator, ferramenta desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para estimar riscos associados à exposição a contaminantes químicos em ambientes frequentados por crianças.
Foram avaliados nove Compostos Orgânicos Voláteis frequentemente encontrados em edifícios educacionais europeus. A boa notícia é que sete deles apresentaram níveis considerados aceitáveis dentro dos critérios utilizados pela OMS.
A má notícia é que dois compostos se destacaram como preocupações relevantes: o formaldeído e o benzeno.
Formaldeído foi o principal motivo de preocupação
Entre todos os contaminantes analisados, o formaldeído apresentou os resultados mais alarmantes.
Os cálculos realizados pelos pesquisadores indicaram risco aumentado para efeitos respiratórios em edifícios educacionais de 14 dos 17 países avaliados. Os resultados envolveram escolas localizadas em Chipre, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Holanda, Portugal, Romênia, Eslovênia, Espanha e Suécia.
A dimensão do levantamento impressiona. Somente na França, os dados analisados incluíram 313 edifícios educacionais. Em Portugal, a avaliação abrangeu 111 escolas e universidades. Em diversos países, os níveis encontrados ultrapassaram os limites considerados aceitáveis para efeitos respiratórios.
Além disso, os pesquisadores identificaram situações em que a exposição ao formaldeído esteve associada a riscos neurológicos. Outro dado que chamou atenção foi a estimativa de risco carcinogênico. Em diversos casos, as concentrações encontradas superaram os níveis de referência utilizados pela OMS para avaliação de risco de câncer relacionado à exposição prolongada.
Benzeno também apresentou riscos neurológicos
O segundo composto que preocupou os pesquisadores foi o benzeno.
Embora os níveis encontrados não tenham ultrapassado os limites de risco de câncer adotados no estudo, foram observados indicadores de risco neurológico elevado em escolas da Alemanha, Grécia, Hungria e Itália.
Segundo os autores, o benzeno pode ter origem tanto em fontes internas quanto externas. Produtos como tintas, vernizes, adesivos, solventes e determinados produtos de limpeza podem contribuir para sua presença no ambiente. Ao mesmo tempo, emissões provenientes do tráfego urbano podem ingressar nos edifícios e influenciar a qualidade do ar interno.
O problema pode estar dentro do próprio prédio
Uma das conclusões mais interessantes do estudo é que muitos dos contaminantes avaliados não vêm de fora.
Grande parte dos COVs é emitida pelos próprios materiais presentes nas edificações.
Móveis fabricados com MDF ou madeira prensada, carpetes novos, pisos, revestimentos, tintas e vernizes podem liberar compostos químicos continuamente durante meses ou até anos. Isso significa que um ambiente aparentemente limpo pode apresentar níveis elevados de contaminantes invisíveis.
Os pesquisadores também destacam que edifícios modernos podem favorecer esse acúmulo. Nas últimas décadas, as construções passaram a priorizar a eficiência energética, reduzindo as trocas de ar com o ambiente externo. Embora isso diminua custos com climatização, também pode aumentar a concentração de poluentes quando não existe renovação adequada do ar.
Como reduzir a exposição aos COVs?
O estudo recomenda uma combinação de estratégias.
A primeira delas é o controle das fontes emissoras, priorizando materiais de baixa emissão de COVs em novas construções e reformas. A segunda envolve programas estruturados de gestão da qualidade do ar interior, incluindo monitoramento periódico dos contaminantes presentes no ambiente. A terceira é garantir ventilação adequada e renovação contínua do ar.
Os próprios autores citam sistemas de ventilação mecânica e tecnologias de filtragem como ferramentas importantes para reduzir a exposição a contaminantes químicos em ambientes educacionais.
No entanto, a evolução das tecnologias de qualidade do ar permite ir além da simples filtragem. Hoje já existem soluções capazes de atuar continuamente sobre contaminantes presentes no ambiente, contribuindo para a redução de compostos químicos, microrganismos e odores diretamente no espaço ocupado.
Tecnologias avançadas de descontaminação do ar vêm sendo utilizadas em hospitais, indústrias farmacêuticas, laboratórios, hotéis e edifícios corporativos justamente porque a qualidade do ar depende de uma abordagem integrada. Não basta remover partículas. É necessário também controlar contaminantes químicos e biológicos que permanecem circulando no ambiente.
Este é o caso da tecnologia Active Pure, utilizada pela Ecoquest. Diferentemente de sistemas que atuam apenas sobre o ar que passa por filtros, a tecnologia gera moléculas oxidantes em concentrações seguras para ocupação humana, capazes de atuar continuamente em todo o ambiente. Estudos independentes já demonstraram sua eficácia na redução de vírus, bactérias, fungos e diversos Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), contribuindo para ambientes internos mais saudáveis. Em locais como escolas, onde crianças e adolescentes permanecem por longos períodos e estão em uma fase crítica do desenvolvimento, soluções que auxiliem no controle simultâneo de contaminantes químicos e biológicos assumem um papel importante nas estratégias de ventilação, monitoramento e gestão da qualidade do ar interior.
Um alerta para gestores de escolas e universidades
O principal mérito deste estudo é mostrar que a qualidade do ar interior vai muito além do controle de vírus, fungos e bactérias.
Os próprios materiais utilizados para construir, reformar e equipar uma escola podem influenciar a saúde de seus ocupantes. E embora os efeitos desses contaminantes sejam invisíveis, eles podem acompanhar estudantes e profissionais durante anos de exposição diária.
Ao reunir evidências de 28 estudos realizados em 17 países europeus, os pesquisadores oferecem uma das análises mais abrangentes já publicadas sobre a presença de COVs em ambientes educacionais.
A mensagem é clara: garantir ambientes de aprendizagem saudáveis exige olhar para o ar de forma mais ampla. Isso inclui monitorar contaminantes químicos, melhorar a ventilação, controlar fontes emissoras e adotar tecnologias capazes de contribuir para uma melhor qualidade do ar interior. Afinal, quando falamos de escolas, estamos falando de ambientes que influenciam diretamente a saúde e o desenvolvimento das futuras gerações.
Fonte: https://www.nature.com/articles/s41598-026-37072-2
