A qualidade do ar pode influenciar a saúde cognitiva, afetando funções como memória, atenção e capacidade de processamento de informações. Uma revisão científica publicada em 2026 reforça a importância de monitorar poluentes que nem sempre são identificados pelos indicadores convencionais utilizados em ambientes corporativos.
Publicada na revista científica Reviews on Environmental Health, a revisão sistemática de Liu e colaboradores (2026) analisou 36 estudos epidemiológicos realizados em três continentes. Os pesquisadores encontraram associações entre a exposição prolongada à poluição do ar e o declínio de funções cognitivas em adultos com 50 anos ou mais.
O poluente mais investigado foi o material particulado fino, conhecido como PM2,5, composto por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório.
Em mais de 80% dos estudos analisados, a exposição a concentrações elevadas de PM2,5 esteve associada à piora de funções como memória, capacidade de planejamento e raciocínio.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, por exemplo, identificou que o aumento de 3,2 µg/m³ na exposição média ao PM2,5 durante cinco anos esteve associado a um risco 6% maior de desenvolvimento de demência.
Embora esses resultados não tenham sido obtidos especificamente em escritórios, eles reforçam a importância de compreender a exposição aos poluentes e seus possíveis efeitos sobre a saúde.
Por que monitorar apenas o CO₂ não é suficiente?
O dióxido de carbono (CO₂) é um dos indicadores utilizados para avaliar as condições de ventilação em ambientes internos. Em espaços ocupados, concentrações elevadas podem indicar que a renovação do ar está insuficiente em relação ao número de pessoas presentes.
Entretanto, uma concentração adequada de CO₂ não garante, por si só, uma boa qualidade do ar.
Isso acontece porque outros contaminantes, como o material particulado fino (PM2,5), os compostos orgânicos voláteis (COVs) e os microrganismos transportados pelo ar, possuem fontes e comportamentos diferentes.
Assim, um escritório pode apresentar níveis aceitáveis de CO₂ e, ao mesmo tempo, registrar concentrações preocupantes de outros poluentes.
A revisão científica também discute possíveis mecanismos pelos quais a exposição à poluição pode afetar a saúde cognitiva, incluindo processos inflamatórios, estresse oxidativo e alterações na barreira que protege o cérebro de substâncias presentes na circulação sanguínea.
O que isso significa para a gestão dos ambientes corporativos?
Escritórios reúnem diferentes fontes potenciais de poluição interna. Materiais de construção, revestimentos, mobiliário, produtos de limpeza e equipamentos podem liberar substâncias que comprometem a qualidade do ar.
Além disso, partículas provenientes do ambiente externo podem ingressar no edifício, enquanto problemas de manutenção e umidade podem favorecer a presença de contaminantes biológicos.
A ventilação é fundamental para diluir e remover poluentes, mas sua eficácia depende das características do sistema, das fontes de contaminação e das condições do ambiente.
Por isso, uma avaliação abrangente da Qualidade do Ar Interno (QAI) deve considerar diferentes parâmetros, incluindo concentrações de material particulado, compostos químicos, condições de ventilação e, quando necessário, contaminantes microbiológicos.
A partir desse diagnóstico, é possível identificar as fontes de poluição e definir medidas de controle, que podem envolver melhorias na ventilação, filtragem, manutenção dos sistemas de climatização e tecnologias complementares de tratamento do ar.
Qualidade do ar também deve fazer parte da gestão da saúde corporativa
Os resultados da revisão científica reforçam uma preocupação relevante: a exposição contínua à poluição pode trazer consequências à saúde que não são imediatamente perceptíveis.
Embora os estudos analisados não permitam quantificar perdas de produtividade em escritórios, a relação entre poluição e saúde cognitiva merece atenção das empresas, especialmente diante do envelhecimento da população economicamente ativa.
Incluir a Qualidade do Ar Interno nas estratégias de saúde ocupacional e gestão predial permite identificar riscos, orientar intervenções e acompanhar as condições ambientais ao longo do tempo.
A Ecoquest oferece soluções para diagnóstico e melhoria da Qualidade do Ar Interno, com avaliação das condições ambientais, identificação de fontes de contaminação e indicação de tecnologias adequadas às necessidades de cada espaço.
O controle de material particulado fino, como o PM2,5, envolve medidas como controle das fontes e filtragem apropriada. Tecnologias complementares, como luz ultravioleta germicida (UV-C) e ActivePure, devem ser selecionadas conforme os contaminantes identificados e as evidências de desempenho de cada equipamento para a aplicação pretendida.
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