Clima, qualidade do ar interno e alergias: porque a crise climática agrava rinite e asma

26 de março de 2026

Boletim do Mês – Março/2026

Por Dra. Nelzair Vianna, PhD

Pesquisadora em Saúde Pública – Fiocruz Bahia

 

Artigo do mês: Impact of Climate Change on Indoor Air Quality

Autores: Alina Gherasim, Alison G. Lee, Jonathan A. Bernstein

Periódico: Immunology and Allergy Clinics of North America, 2024 Feb;44(1):55–73 DOI: 10.1016/j.iac.2023.09.001

 

Resumo executivo

O artigo do mês mostra que a crise climática também deteriora a qualidade do ar em ambientes internos. Ondas de calor, fumaça de queimadas e episódios de poluição favorecem a entrada e o acúmulo de partículas e gases irritantes em casas, escolas e locais de trabalho, sobretudo quando a ventilação é insuficiente. Ao mesmo tempo, chuvas intensas, infiltrações e alagamentos elevam a umidade e favorecem o aparecimento de mofo e outros alérgenos. Esse conjunto de fatores agrava rinite e asma, principalmente em crianças, idosos e populações vulneráveis. O artigo destaca que medidas como ventilação adequada, controle de umidade, manutenção do HVAC, filtração e monitoramento básico da qualidade do ar podem reduzir esses riscos.

Introdução

A qualidade do ar interno é um determinante relevante da saúde respiratória. O artigo revisa como a mudança climática altera a dinâmica de calor, umidade e poluentes entre o ambiente externo e o interno, aumentando a exposição a contaminantes em espaços fechados. Essa relação é especialmente importante para doenças como rinite alérgica, asma e DPOC, que tendem a piorar quando há maior concentração de partículas, gases irritantes, compostos orgânicos voláteis e alérgenos biológicos. Principais mensagens do artigo

1. Como a mudança climática afeta o ar interno

O texto aponta três mecanismos centrais. O primeiro é a infiltração de poluentes externos, que aumenta em episódios de fumaça, calor extremo e piora da qualidade do ar. O segundo é a redução da ventilação em edifícios mais vedados por estratégias de

eficiência energética mal planejadas. O terceiro é o aumento da umidade após chuvas intensas, inundações e infiltrações, criando condições favoráveis para mofo e ácaros.

2. O que mais agrava rinite e asma

Além dos poluentes vindos de fora, o artigo destaca fontes internas relevantes, como combustão, materiais de construção, mobiliário, produtos de limpeza e VOCs. Também chama atenção para alérgenos como mofo, ácaros, animais domésticos e insetos. Em ambientes quentes e com pouca renovação de ar, a exposição tende a se intensificar.

3. Vias aéreas unidas: nariz e pulmão respondem juntos

O artigo reforça que rinite alérgica e asma fazem parte de um mesmo contínuo inflamatório das vias aéreas. Por isso, quando a qualidade do ar interno piora, sintomas nasais e bronquiais costumam se agravar em conjunto. Essa lógica ajuda a entender por que muitos pacientes relatam crises sem identificar um único gatilho isolado.

4. Prevenção com medidas concretas

As respostas propostas são práticas e mensuráveis: ventilação planejada, manutenção adequada dos sistemas HVAC, controle de umidade, escolha de materiais mais resistentes à água, redução de fontes internas de poluentes, filtração do ar e monitoramento de parâmetros como temperatura, umidade, CO₂, CO, O₃ e material particulado. O ponto-chave é adaptar os edifícios ao novo contexto climático sem piorar a qualidade do ar interno.

Conclusão

A crise climática não está apenas do lado de fora. Ela também altera o ar dentro dos espaços onde as pessoas vivem, estudam e trabalham. O artigo reforça que proteger a saúde respiratória hoje exige olhar para ventilação, umidade, filtração, manutenção e monitoramento como parte de uma estratégia de adaptação climática baseada em evidências. Em especial para grupos mais vulneráveis, qualidade do ar interno é uma questão concreta de saúde pública.

Referência

Gherasim A, Lee AG, Bernstein JA. Impact of Climate Change on Indoor Air Quality.

Immunology and Allergy Clinics of North America. 2024;44(1):55–73. DOI:

10.1016/j.iac.2023.09.001.

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